Life,  PT

Tu

Cheguei à conclusão que sou saudosista por natureza.

Revivo na minha cabeça muito do que já passou, e no meio dessas vivências que acontecem somente na minha mente, no meu lugar seguro, às vezes surges tu.

Surges em força, sem avisar e eu lembro-me de nós.

Fico perdida nos meus pensamentos e nas minhas memórias em que fantasio sobre tudo aquilo que podíamos ter sido mas que por tolice típica da adolescência não fomos.

Penso em tudo o que sempre te quis dizer desde o dia em que soube que a nossa discussão há duas semanas tinha sido a última, porque agora tinhas alguém novo.

Eu sabia que te queria desde o minuto que te vi.

Falam em amor à primeira vez e nós dois somos prova viva que sim, é real e existe.

De alguma forma era como te se tivesse reconhecido e re-encontrado e não como se tivesse acabado de te ver. Demorei algumas semanas até ter coragem para te falar a primeira vez. 

Eu com o meu metro e sessenta de pessoa e tu alto, quando te apercebeste que estava alguém ao teu lado (eu) olhaste para mim como quem diz “quem és tu?”. Claro que o “Não penses que sou psycho” ficou eternizado e motivo de riso entre nós. Já passaram mais de dez anos e parece que foi ontem.

 

Recordo-me de pequenos pormenores que eram tudo na nossa relação.

Da forma como nos aninhávamos um no outro no meia da rua completamente perdidos de riso e sem ninguém a nossa voltar perceber porquê.

Era como se lêssemos os pensamentos um do outro, bastava um olhar para percebermos o que o outro queria dizer. Tínhamos o nosso Mundinho onde partilhávamos sonhos, histórias do passado, onde fazíamos planos para o futuro.

Num fim de semana vimos um casal mais velho que nos olhou de lado porque estavamos no meio da rua a rir que nem doidos enquanto eu andava nas tuas cavalitas.

Éramos felizes. Pureza típica da inocência de como quem ama pela primeira vez. 

“Juntos para sempre” eram as nossas promessas um ao outro.

Quando é que nos afastámos e permitimos que o que tinha sido mágico durante a nossa adolescência nos escapasse pelos dedos como areia?

Dizem que quando crescemos perdemos muito do que nos é inato. Dizem que quando alguém morre, das primeiras coisas que vão é o som da voz das pessoas.

Eu nunca me esqueci do teu riso.

Quantos anos passaram desde que te beijei a última vez? Desde que senti o teu cheiro e o teu toque?

A distância entre nós torna-se menor com a troca de mensagens no whatsapp. Tecnologias que estão disponíveis hoje e que permitem que após anos separados, podemos finalmente fazer parte da vida um do outro.

Apesar de seguirmos caminhos diferentes, de alguma forma, sempre permaneceste em mim.

Falo contigo mas não digo metade do que quero.

Quero-te perguntar mil e uma coisas, quero falar sobre o passado, sobre o futuro, sobre sonhos, quero saber se o Mundo que criámos para nós os dois ainda existe ou se vai apenas permanecer nas minhas memórias.

Não houve um final certo. Não houve um adeus. 

Eu sentia-te a olhar de soslaio para mim. Eu sentia-te a tentares não faltar ao respeito à pessoa com quem estavas mas sei que olhavas.

Se pudesses falar comigo, o que me dirias naquele momento? Se apenas tivesses trinta segundos, o que dizias? Se me pudesses abraçar de novo, fa-lo-ias?

Na tua mente, no teu sítio seguro, diz-me. Pensavas em mim?

Dos nossos momentos a dois em que o Mundo deixava de existir lá fora?

Sei como estás porque vejo o teu facebook, porque vejo o teu instagram, porque vejo o teu snapchat e só não vejo mais nada porque não creio que existam mais plataformas para estar mais próxima de ti. 

Apesar de estar longe. Apesar de já não ser a mesma pessoa mas ao mesmo tempo por saber saber que conheces a minha essência, isso torna-te familiar.

Já passaram anos e o sentimento de familiaridade, de pensar em tudo o que foi e podia ter sido, ainda me vem à mente.

Não sei a diferença entre amor e paixão.

Sei que uma leva à outra (ou não) e que uma não existe sem a outra. Uma é louca, desenfreada, livre, solta, eufórica.

Outra é o pós tempestade. Ou ficas com os destroços e constróis tudo sozinho à espera da próxima ou percebes que no meio da tempestade te encontraste noutra pessoa e tomas uma decisão consciente de amar aquela pessoa independentemente de tudo.

O teu olhar era tudo. Sentia-me a rapariga mais sortuda do Mundo por te ter.

Eu sabia que te queria desde o minuto que te vi.

Falam em amor à primeira vez e nós somos prova viva que sim, é real e existiu.

Nas nossas memorias encontro-me. No meu lugar seguro, tu és a prova que sim, sou saudosista.

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