Life

Jaulas de betão

Fez há uns dias um ano que não vejo a minha família, e talvez movidos por circunstâncias semelhantes, pelas redes socais vejo a saúde mental de muitos entrar em declínio.

Não por isto ser apregoado mas porque diariamente observo comportamentos preocupantes.

Insultos e opiniões não solicitadas nas redes sociais; Acusações dirigidas não se sabe bem a quem mas para todos “aqueles” que não ficam em casa.

É o desespero de quem não sabe como vai pagar a renda e alimentar os filhos; o desespero da incerteza do amanhã.

É o desespero de quem tem que ir trabalhar e não sabe bem o que vai encontrar ao sair porta fora.

Não está fácil.

Se há uns meses, estarmos trancados em casa foi visto como uma benção para passarmos tempo com a nossa família e darmos hipótese de nos focarmos no que é importante na vida, hoje o cenário é bem diferente.

Os aplausos à comunidade da área da saúde cessaram e estamos consumidos por stress, testosterona e toneladas de energia acumulada à espera de ser libertada.

Palavras de outros são como combustível para uma mente já instável. Somos atiçados pelo rugir de outros como se estivéssemos na selva.

Parecemos animais raivosos a espumar pela boca como se estivéssemos trancados em jaulas de betão.

A nossa mente é diariamente alimentada com mensagens de medo e incerteza.

O resultado? Bombástico.

Desde há muito que a comunicação social deve um pedido de desculpas à humanidade mas a manipulação de massas nunca foi tão fácil como nos dias de hoje.

Estamos a criar uma geração de crianças desligadas daquilo que nos faz únicos – contacto humano. Emoções. Empatia. Companheirismo.

Estamos a programar uma geração de adolescentes para um futuro incerto e a manipular uma geração de adultos para um propósito ainda desconhecido.

Numa das conversas que tive com a minha Mãe, partilhei com ela um pensamento e disse-lhe que achava estarmos num caminho perigoso por dois motivos.

  1. Um povo com fome, sem prospectos de futuro aceita facilmente um dogma imposto pelos seus Governos;
  2. Por outro lado, temos que nos lembrar que quem já perdeu tudo, não mais tem nada a perder. Isto cria volatilidade e imprevisibilidade.

Qual será o resultado? Não sei.

A solução? Não ouso dizer que sei qual é.

Eu sou uma observadora do Mundo e comportamento humano. Registo o que vejo e o que sinto.

Não nos esqueçamos daquilo que nos faz únicos. A capacidade de amar o próximo.

Neste momento, quer-me parecer que um pouco de amor no Mundo pode ser exactamente aquilo que estamos todos a precisar.

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